02/04/2009

Análise de reportagem - Gabriela Delman

Revista Veja
25 de março de 2009
Matéria: “Ainda mais enrolado”
Linha fina: “Protógenes Queiroz é indiciado e documentos revelam outros alvos de espionagem ilegal”

A matéria fala sobre o caso do delegado Protógenes Queiroz, que foi indiciado por vazamento de informações sigilosas e violação da lei de interceptações telefônicas. Esses crimes foram cometidos pelo delegado federal durante a operação Satiagraha que culminou na prisão do banqueiro Daniel Dantas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. O delegado é acusado de ter usado agentes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para espionar autoridades políticas, empresários e jornalistas, para que fosse concluído as investigações da operação comandada pela Polícia Federal. Para defender seu cliente das acusações o advogado de Protógenes divulgou em um site uma carta para o presidente Obama na qual pede que a CIA investigue arquivos de Daniel Dantas.
Ainda sobre as investigações ilegais, a matéria vai se ater ao exemplo de Fernando César Mesquita, que é assessor do presidente do Congresso, José Sarney. Ele nunca esteve envolvido no rol dos investigados da Satiagraha e a ação de espionagem sobre sua vida foi descoberta através de um relatório de cinco páginas que tinham informações sobre seu trabalho, lugares que freqüentava e pessoas que o visitavam. O primeiro problema da matéria está ai, pois a linha fina diz que “documentos revelam outros alvos” e na verdade existe apenas um novo relatório sobre apenas uma pessoa, no caso Mesquita.
Um segundo problema observado é que o jornalista que escreveu a matéria, Expedito Filho, expõe sua opinião como na passagem “Convenha-se que, a menos que suas acusações sejam levadas a sério, Protógenes deveria ser afastado de suas funções na PF. No mínimo porque nem mesmo os militares que deram o golpe em 1964 recorreram aos americanos para resolver um problema interno.” Nesse caso, Expedito deveria ter utilizado uma citação de alguma fonte, de alguma autoridade no caso, e não escrever isso ele mesmo. Isso dá a entender que o delegado tem que ser afastado porque as suas acusações não vão e não podem ser levadas a sério, o que é a opinião do próprio jornalista.
Um outro momento que o jornalista deixa claro o seu ponto de vista é no final do texto quando escreve “Além de explicar suas atividades clandestinas, ele promete fazer surpreendentes revelações sobre a extensão dos tentáculos do ex-banqueiro Daniel Dantas. Obama e a CIA certamente estarão atentos. Afinal de contas, persiste até hoje o mistério sobre o paradeiro do terrorista Osama Bin Laden.”. Expedito ironiza a questão do que Protógenes pretende revelar e debocha da situação falando de Obama e da CIA, o que revela um julgamento e um preconceito por parte do jornalista.


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