31/03/2009
Coluna de Opinião - Reportagem
Coluna de Opinião: Não tem segredo (Gilberto Dimestein)
Ao analisar a reportagem e a coluna de opinião, fica evidente a diferença de linguagem existente entra ambas, sendo a coluna algo mais despojado e " Caloroso".
A ligação entre os assuntos se dá quando ambos abordam o tema : " Educação no Brasil " , e como sempre se há a possibilidade ,de se ter um ensino de qualidade mesmo com a falta de tempo e estruturas que deixam a desejar.
Tanto a coluna quanto a reportagem , transmitem uma lição de vida para o leitor , através de exemplos e depoimentos de pessoas quem vivem essa realidade !
Laura Abrahão
26/03/2009
Teoria da Participação Pública - PAULO EDUARDO
Embora eu tenha ficado indeciso, em certos momentos, para decidir o que escreveria em minha análise, confesso, a partir da afirmação de que todos somos integrantes dos três grupos, dependendo do assunto, certamente, aqui está meu envolvimento nessa teoria.
- público envolvido: esportes, saúde, cotidiano, cinema, música e entretenimento (em partes).
- público interessado: educação, tecnologia, nacional, internacional, economia, política, turismo, literatura, teatro, arte e lazer.
- público desinteressado: editoriais, animais, meio ambiente.
25/03/2009
Reportagem x Coluna de Opinião
Professora: Bia Abramo
Aluno: Felipe Boldrini Francisco 1º ano Jornalismo
Reportagem X Coluna de Opinião
Comparando uma reportagem, com uma coluna de opinião, fica notória as divergências que elas apresentam.
A reportagem é construída de forma concreta e objetiva, com o intuito de passar ao público detalhes de fatos e acontecimentos diários.Elas respondem algumas questões ao leitor, como por exemplo: porque, o que, onde, como, quem, quando, informando com clareza as notícias da sociedade e do mundo.
Na reportagem são expostas somente informações, o jornalista não expõe sua opinião.
Já na Coluna de Opinião, como é visto no próprio nome, comentários e opiniões são fundamentais na formação de uma coluna. O jornalista ou a pessoa que escreve, passa ao leitor o seu ponto de vista a respeito de alguma notíca.
Portanto apesar das divergências, a semelhança também existe. Tanto a reportagem, quanto a coluna opinativa, tem a mesma função jornalística; noticiar e passar informações, mas de formas diferentes, mas com o mesmo intuito.
Podemos notar observando, uma reportagem é uma coluna de opinião.
Folha de São Paulo, Segunda 16 de março.
Reportagem: Ineficiente, Corinthians tem saudade de Ronaldo.
Ela expõe dados do jogo e comenta atuação do time corintiano, apontando o sexto empate, e a primeira partida sem marcar gols. Além disso colocou a falta que Ronaldo faz, segundo jogadores e o técnico Mano Menezes.
Coluna de Opinião: Juca Kfouri, opina e comenta, retratando passagens futebolísticas, citando jogadores inesquecíveis do futebol brasileiro, tratando como Ronaldos. Ele também fala das mudanças de relação com os jogadores de 1994 e 2002 e da ausência de Ronaldo no jogo contra o Santo André que frustrou torcedores.
Textos para discutir na aula 5
O projeto que cria cotas raciais nas universidades
federais brasileiras exige mais atenção do que a
justeza da causa sugere: ele pode ser igualmente
ruinoso para os negros e brancos brasileiros
Camila Pereira
Tarso Sarraf/AE
"CHEGAMOS LÁ"
Se aprovado, o projeto dará uma de cada duas vagas nas federais a alunos cujo passaporte de entrada não foi o mérito acadêmico, mas a cor da pele. Isso é bom?
Nas próximas semanas, deverá ser votado no Senado um projeto que, já aprovado na Câmara dos Deputados, implanta o sistema de cotas raciais nas 55 universidades federais brasileiras. Essas instituições ficarão obrigadas a reservar 50% de suas vagas para alunos egressos de escolas públicas. Dentro desse universo de cotistas, negros, pardos e índios serão os principais beneficiados: terão garantido um número de vagas proporcional à sua representação demográfica em cada estado. O projeto visa a ampliar a presença desses grupos étnicos e raciais no ensino superior. O objetivo é justo. Negros, pardos e índios, em especial os mais pobres, têm pouca ou nenhuma chance de se equiparar social e economicamente aos brancos sem que se lhes abram maiores oportunidades na vida. Mas essa questão é complexa e não se esgota em sua justeza. Há fortes razões para acreditar que transformar o projeto em lei da maneira como ele chegou ao Senado, vindo da Câmara dos Deputados, pode ser contraproducente, ilógico e ruinoso para todos os brasileiros, inclusive e principalmente aqueles que o texto da lei visa a beneficiar.
A primeira e mais grave reflexão a fazer é se o papel das universidades federais deve passar a ser o de reparar injustiças históricas. Se for isso, há que ter em mente que se trata de uma mudança radical. As universidades existiram desde sempre para produzir conhecimento. A produção de conhecimento de qualidade só é possível em ambientes de porta de entrada estreita e com rígido regime de mérito. É o contrário do que propõe o sistema de cotas em votação no Senado. Se ele for aprovado, metade dos calouros terá acesso à universidade usando como passaporte de entrada o vago e cientificamente desacreditado conceito de raça. Adeus ao mérito individual. Com ele se despedem também a produção de conhecimento e o avanço acadêmico. Deve haver formas menos destruidoras de reparar injustiças históricas.
Fotos Anderson Schneider e Lailson Santos
"TRAIDORES DA RAÇA"
É assim que militantes de grupos de combate ao racismo, como os que ilustram estas páginas, são chamados pelos colegas: no movimento negro, quem é contra as cotas perde financiamento e cargos públicos
A experiência com cotas no ensino superior começou no Brasil em 2002, quando a Universidade do Estado do Rio de Janeiro as instituiu pela primeira vez no país. Outras oitenta faculdades fizeram o mesmo, com modelos variados. Nenhuma dessas experiências tem resultados positivos conclusivos e tampouco unanimidade quanto a sua constitucionalidade. Ainda neste ano, o Supremo Tribunal Federal deve julgar a validade de dois desses modelos. A novidade do projeto que tramita no Senado é que ele pretende institucionalizar as cotas. A ideia conta com forte apoio oficial e, felizmente, com a oposição de muitas lideranças negras do país que enxergam no favorecimento das cotas um risco para todos. Como é de praxe quando se contraria uma decisão oficial do governo, a retaliação é automática. Diz Leão Alves, do movimento Nação Mestiça: "Não apoiar as cotas, como é o meu caso, significa abrir mão de financiamentos e cargos públicos".
A contaminação ideológica do projeto é seu ponto fraco. Por qual critério se chegou ao porcentual de 50% das vagas das universidades federais para cotistas? Segundo o ministro Edson Santos, da Secretaria da Igualdade Racial (Seppir), pelo critério da "sensibilidade". Acontece que, para preencher todas essas vagas, será necessário admitir alunos classificados entre os piores no vestibular. O matemático Renato Pedrosa, um dos coordenadores do vestibular da Unicamp, fez simulações com base na lei e concluiu: "Cotistas entrariam com notas até 25% mais baixas do que os aprovados apenas pelo mérito e não conseguiriam ter um bom desempenho ao longo do curso". Outro efeito da pressão das ONGs negras é que um mecanismo para beneficiar candidatos de baixa renda só foi incorporado ao projeto na última hora, e quase como um remendo. A redação da lei deixa no ar muitas dúvidas, entre as quais se um branco pobre saído da escola pública poderá se beneficiar das cotas.
Lula Marques/Folha Imagem
TRIBUNAL RACIAL
Alunos que disputaram vagas pelo sistema de cotas da UnB: a universidade decidiu que eles são negros
Estabelecer cotas pelo critério econômico, que leve em conta também o mérito, é uma saída que tem sido estudada. O próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, hoje defensor das cotas raciais, já afirmou preferir as cotas para os pobres. Em teoria, esse modelo seria menos problemático do que aquele que gira em torno de raça – mais, especificamente, no favorecimento oficial de um grupo racial em detrimento de outro. Diz o sociólogo Demétrio Magnoli: "Políticas baseadas na raça são a negação do princípio fundador da democracia, segundo o qual as oportunidades das pessoas estão em aberto – e não pre-determinadas por suas origens". Algumas das maiores e mais vergonhosas tragédias da história foram plantadas, cultivadas e colhidas pelo ódio racial produzido por políticas públicas racistas – a escravidão, o holocausto e o apartheid. É ingênuo pensar que o progresso social se acelera quando o estado inverte o sinal de modo que um grupo racial historicamente derrotado possa, finalmente, triunfar sobre seus algozes. Isso produz mais ódio.
A experiência histórica mais formidável no campo da convivência racial sob o regime da lei vem dos Estados Unidos, em especial das decisões emanadas da Suprema Corte. A ênfase das melhores decisões da Suprema Corte americana sobre essa questão foi colocada no abrandamento das tensões raciais pela produção de leis justas para todos os cidadãos, sem distinção. "A imagem da Justiça tem os olhos vendados. Sua filha, a lei, não pode distinguir cor", resumiu o juiz John Marshall Harlan (1833-1911). Mas não existe racismo nos Estados Unidos? Existe, e ele é forte mesmo com a presença do negro Barack Obama na Casa Branca. O que não existe nos EUA e não deveria haver no Brasil é o acirramento do ódio e das divisões raciais patrocinado pelo estado. Adverte o sociólogo Simon Schwartzman: "O que deveria ser uma discussão racional sobre o sistema de ensino no Brasil tornou-se um debate passional e ideológico". Nas páginas seguintes, esta reportagem oferece seis razões pelas quais o projeto de cotas que tramita no Senado deve ser examinado com redobrada atenção.
O estado não deve legislar sobre raça
Estabelecer direitos distintos com base na cor da pele, como prevê o atual projeto, significa dar amparo legal à ideia de que negros e brancos devem ser tratados diferentemente – em oposição ao que diz a própria Constituição brasileira. É uma armadilha. À guisa de reparar uma injustiça coletiva histórica e socialmente definida, entroniza-se por lei uma discriminação indelével que recai sobre cada indivíduo tendo como base certos caracteres físicos que se aceitam como definidores de sua raça. Isso equivale à oficialização do racismo. Com outras intenções, foi essa mesma ideia absurda a base do único regime contemporâneo erguido sobre o conceito de separação racial, o apartheid da África do Sul, que de 1948 até ser desmontado, em 1994, justificou a segregação entre grupos de pessoas e a supremacia de um deles, os brancos, sobre outro, os negros. Raça é hoje um conceito desmoralizado pela ciência, pois podem ser medidas mais variações genéticas entre dois indiví-duos loiros do que entre um loiro e um negro. Raça não é, portanto, base sólida para legislar.
Nos Estados Unidos, país com longa experiência em ações afirmativas, caminha-se na direção justamente oposta à que pretende o Brasil. A Suprema Corte americana nos anos 70 julgou inconstitucionais as cotas para negros e outras minorias. Recentemente, também considerou inconstitucional o "bônus" nas notas que algumas universidades instituíram para ajudar no ingresso dos estudantes negros. Resumiu o juiz Anthony Kennedy em um voto sobre as ações afirmativas: "Preferências raciais, quando corroboradas pelo estado, podem ser a mais segregacionista das políticas, com o potencial de destruir a confiança na Constituição e na ideia de igualdade". Incentivados a responder sobre a própria cor no último censo escolar, 65% dos alunos brasileiros deixaram a questão em branco. A maioria dos brasileiros também não se define com base na raça. Conclui a antropóloga Yvonne Maggie: "A luta contra o racismo consiste em destruir essa identidade racial – e não em reforçá-la". Impor cotas raciais por lei pode ir contra o bom senso e contra a realidade brasileira, acirrando divisões apenas embrionárias na sociedade.
Mário Ângelo/Folha Imagem
E OS BRANCOS POBRES?
O projeto de lei que tramita no Senado não menciona os brancos: as cotas não resolvem as injustiças sociais e ainda podem fabricar uma outra
Definir quem tem direito às vagas com base na cor da pele será fonte de polêmicas infindáveis e injustiças irreparáveis
A biologia do ensino médio explica que o biótipo (carga genética) não tem manifestação completa e automática sobre o fenótipo (aparência). Isso significa que pessoas de ancestralidade negra podem parecer menos negras do que alguns brancos com um "pé na cozinha", como era comum no passado se referir a brancos com algum antepassado negro na família. Na Universidade de Brasília, uma das primeiras a implantar o sistema de cotas no país, uma comissão foi formada com o objetivo de arbitrar, a partir de fotografias, sobre quais candidatos se enquadravam no critério racial a ser favorecido. Dois irmãos gêmeos idênticos, univitelinos, tentaram o acesso – mas apenas um foi considerado negro. A universidade decidiu, então, substituir a foto por uma entrevista. Logo outra injustiça flagrante será produzida pelo novo sistema. Isso é inevitável. Em todos os tempos históricos e geográficos, o critério racial como balizador de políticas públicas produziu favoritismo e abuso de poder. Essa maldição foi magistralmente materializada no famoso desabafo de um funcionário nazista exasperado com a vagueza dos critérios instituídos para separar arianos de judeus: "Na Alemanha, judeu é quem Goebbels (ministro da propaganda) diz que é judeu". É previsível que, se implantado nacionalmente no Brasil o sistema de cotas, negro será quem o agente do estado petista disser que é negro.
Eduardo Marques /Tempo Editorial
A NOTA ALTA NÃO BASTOU
O gaúcho Getúlio Ost teve ótimo desempenho no vestibular da UFRGS, mas ficou sem a vaga: "Estudei muito, mas perdi meu lugar para um cotista"
As cotas não resolvem as desigualdades sociais
Os defensores das cotas dizem que está passando da hora de reconhecer a dívida histórica do Brasil com os descendentes de escravos. A boa intenção esbarra na realidade, como explica o historiador José Roberto Pinto de Góes: "Há registros de que muitos negros, uma vez libertos, se tornaram proprietários de escravos". Será que o agente do estado encarregado de reparar a injustiça histórica conseguirá saber se o candidato é descendente de um negro que foi dono de escravos? Difícil. Antevendo essa e outras armadilhas práticas, o projeto de cotas que chegou ao Senado recebeu um remendo que tenta aliviar sua pesada carga de racismo com a inclusão da pobreza entre os critérios para um brasileiro ser beneficiado por cotas nas universidades. O projeto prevê que os contemplados, além de negros, pardos ou índios, sejam egressos de escolas públicas. Metade das vagas seria reservada para aqueles estudantes de famílias de baixa renda. A intenção do remendo é evitar que os brasileiros negros de classe média ou os alunos das escolas públicas de elite sejam os principais beneficiados pelo novo sistema. É um bom remendo. Mas ele só vale para 50% das vagas sob o sistema de cotas. A lei, da maneira como chegou ao Senado, é confusa quanto a que benefício teria direito o brasileiro branco e pobre. O texto afirma que as vagas devem ser preenchidas por negros, pardos e índios, "no mínimo" na proporção em que suas etnias participam da composição da população em cada estado. Ao usar a expressão "no mínimo" e não se referir aos brancos, a lei abre espaço para que as demais vagas também sejam ocupadas por negros, pardos e índios.
Washinton Alves/AE
ONDE COMEÇA O PROBLEMA
Com o baixo nível da escola pública, os alunos abandonam a sala de aula bem antes do vestibular: só 30% concluem o ensino médio no Brasil
O verdadeiro problema da educação brasileira é o ensino básico
Pelas estimativas, se aprovado como está, o projeto beneficiaria efetivamente 75 000 brasileiros, a metade dos calouros que entra nas universidades a cada ano. Tais vagas seriam destinadas preferencialmente a negros, pardos e índios. Esse contingente, é de presumir – pois do contrário não faria sentido ter cotas –, é menos preparado academicamente do que dezenas de milhares de estudantes rejeitados pela simples razão de terem nascido brancos e de pais que suaram a camisa para galgar um degrau mais alto na pirâmide social brasileira. Os efeitos de longo prazo dessa injustiça são ruinosos. Ela pune o esforço individual e cria uma casta de "profissionais das cotas", cuja maioria pode até ser muito bem aceita em empregos de segunda linha, mas, certamente, será discriminada no preenchimento de postos de trabalho mais bem pagos e com exigências curriculares impecáveis. O projeto de cotas não toca nesse vespeiro. E desvia a atenção de algo bem mais relevante: o fato de que a encrenca começa bem antes do vestibular. Para se ter uma ideia, apenas 20% dos alunos mais pobres concluem o ensino médio. Pior ainda: entre os que chegam à formatura, uma minoria tem condições reais de cursar uma faculdade, ainda que ela seja gratuita. Metade dos alunos conclui o ensino básico sem conseguir executar as operações fundamentais da matemática e sem entender o conteúdo de textos simples. "Não há solução mágica para a democratização do acesso à universidade. Isso apenas ocorrerá quando mais e mais estudantes forem preparados para competir de igual para igual por uma vaga", diz Eunice Durham, especialista em ensino superior. Não há, claro, uma maneira de fazer isso que ignore o investimento maciço na melhoria do nível dos professores das escolas públicas brasileiras.
As cotas ferem o princípio da meritocracia
Como explicar a um aluno classificado na 65ª posição num dos vestibulares mais concorridos do país que sua vaga será ocupada pelo milésimo colocado no mesmo concurso? É esse tipo de distorção que ocorrerá nas universidades brasileiras, caso as cotas sejam adotadas na proporção em que prevê o projeto que tramita no Senado. Os números vêm de um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo. O perigo é pôr em xeque o reconhecimento ao mérito individual. Nos Estados Unidos, onde as cotas já foram julgadas inconstitucionais, as ações afirmativas ferem menos esse princípio. Lá, o objetivo é garantir a diversidade: fazer com que no ambiente universitário se encontrem pessoas não só de uma pluralidade de origens, mas também com talentos peculiares. Com esse critério, podem ser beneficiados candidatos negros, mas também mulheres, estrangeiros ou esportistas. Só entra, no entanto, quem tirar boas notas. No caso brasileiro, as cotas levam a um arremedo de diversidade. São consideradas apenas as variáveis branco, negro, pardo e índio, além de um indicador de renda – as qualidades do indivíduo não são avaliadas. Tampouco está previsto mecanismo algum para preservar a qualidade do ensino. Para preencher todas as vagas reservadas, as universidades precisarão aprovar candidatos com notas baixas. Para os que são preteridos, como o estudante gaúcho Getúlio Ost, 18 anos, fica a frustração. "Consegui uma boa nota no vestibular, mas meu esforço não valeu de nada", diz ele, que perdeu a vaga na Universidade Federal do Rio Grande do Sul para um cotista. Já para as universidades, resta um duro desafio: preservar o nível acadêmico dos cursos.
Os mesmos problemas se repetem nos países onde as ações afirmativas foram adotadas
Getty Images
SEGREGAÇÃO AMERICANA
Entradas separadas para negros nos Estados Unidos da década de 50: cenário que nunca existiu no Brasil
Foi o que verificou o maior estudo internacional já feito sobre o efeito das cotas, conduzido pelo economista americano Thomas Sowell, da Universidade Stanford. O trabalho mostra que é incorreto atribuir às ações afirmativas o progresso dos grupos beneficiados. Nos Estados Unidos, os números revelam que grande parte dos negros ascendeu justamente no período anterior às cotas. Depois delas, o que se viu foi a melhora na renda do grupo reduzido de classe média negra que já vinha avançando. Para os 20% dos negros americanos mais pobres, ocorreu o contrário. A renda até caiu. Outro problema recorrente é que, embora surjam como políticas provisórias, as cotas acabam sempre prorrogadas por longos períodos. Na Índia, a reserva de empregos e de vagas na universidade para castas discriminadas foi implantada em 1949. Era para durar dez anos, mas existe até hoje. A razão para a persistência da medida é simples: ninguém quer arcar com o custo político de eliminar o benefício. Ao contrário. Ele é até ampliado. Isso já ocorre no Brasil. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que começou com cotas para negros de escola pública, atualmente também reserva vagas para índios, deficientes e filhos de bombeiros mortos em serviço. A Universidade Federal de São Carlos já reserva vagas até para refugiados políticos.
O discurso dos defensores
Os principais argumentos de quem quer a implantação
de cotas raciais nas universidades brasileiras
Ana Nascimento/BG Press
SOCIEDADE DIVIDIDA
Manifestação de militantes negros em Brasília: um discurso que segrega em vez de unir
O que dizem os defensores das cotas
O sistema ajudaria a reparar uma dívida com os negros pelo longo período de escravidão
Comentário
O raciocínio é capcioso. Quem recebe a "reparação" não são aqueles que concretamente foram feridos pela escravidão – mas um grupo de pessoas definidas pelo impreciso conceito de raça, que vem inclusive sendo questionado pela ciência
O que dizem os defensores das cotas
O Brasil é um país racista – e os negros, menos escolarizados e mais pobres por causa disso, precisam de um empurrão
Comentário
As desigualdades sociais entre brancos e negros de fato existem, tal como o preconceito. O que não existe é racismo institucionalizado. Depois da abolição, em 1888, o Brasil nunca criou barreiras legais em função da cor da pele, ao contrário de outros países
O que dizem os defensores das cotas
Aumentar o número de negros com diploma de ensino superior teria um efeito simbólico na diminuição da discriminação
Comentário
Pode ser, mas provavelmente não por meio das cotas. A experiência mostra que o sistema não confere prestígio aos negros, mas, sim, os estigmatiza como um grupo menos capaz de avançar por mérito próprio
O que dizem os defensores das cotas
A diversidade contribuirá para a melhoria do ensino superior
Comentário
O conceito de diversidade no projeto é bastante limitado. Toda a variedade sociocultural brasileira se resume a negros, pardos e índios. Ao contrário do que acontece em outros países, a biografia e os talentos individuais dos candidatos não são levados em conta
O que dizem os defensores das cotas
A experiência brasileira está dando certo – sem nenhum sinal de que comprometa o nível das universidades
Comentário
Embora alguns estudos revelem resultados positivos, não houve tempo suficiente para uma avaliação mais científica sobre o impacto das cotas no Brasil. Em países onde elas foram implantadas há mais tempo, a experiência não foi bem-sucedida
Textos para discutir na aula 4
Segundo parentes, Kleber Barbosa da Silva sofria de depressão e falou em suicídio algumas vezes; mãe soube da morte da filha ontem
Pai e filha foram enterrados ontem; família afirma desconhecer se mulher sabia que Kleber era acusado de estuprar menina de 13 anos
Cristina Cabral/"O Popular"
Kleber Barbosa da Silva com a filha Penélope e a mulher Érica
JOHANNA NUBLAT
ENVIADA ESPECIAL A GOIÂNIA
A menina Penélope Barbosa Correia, de cinco anos, e seu pai, Kleber Barbosa da Silva, 31, que morreram na queda de um avião monomotor anteontem, foram enterrados em diferentes cemitérios e por diferentes famílias. Kleber, que roubou e pilotou o avião que caiu na noite de quinta-feira em Goiânia, foi velado pelo pai, por irmãos, pela madrasta e por amigos.
A menina, em um cemitério municipal bem simples do outro lado da cidade. Presente estava só a família da mãe, Érica Correia Santos, que ficou somente 15 minutos no velório e saiu amparada. A tia da menina desmaiou e foi carregada.
As duas famílias disseram que os dois eram apaixonados. Afirmaram, porém, que o marido ameaçou suicídio em algumas ocasiões e disse até que mataria a família.
"Ela [Érica] falava que ele sofria de depressão. De um momento para o outro, falava que ia se matar e matar a Érica e a Penélope", afirmou o primo da mulher, Jonathan Mota.
Segundo a família de Érica, os três voltavam de Caldas Novas (GO), anteontem, quando Silva chamou a mulher para ir a Anápolis. No caminho, diz a família, ele teria parado o carro e chamado a mulher para fora, quando, então, teria acertado a cabeça dela com um extintor de incêndio e partido com a filha.
Parentes de Érica, porém, dizem desconhecer o motivo da briga nem se a mulher já sabia que Kleber era acusado de estuprar uma menina de 13 anos. Já a família de Kleber disse que só soube anteontem, dia do acidente, que ele sabia pilotar. Ele, porém, não tinha autorização da Aeronáutica para isso.
Restos de combustível foram encontrados nos destroços do monomotor, o que contraria a hipótese de que o avião caiu por estar com o tanque vazio. Segundo o delegado Manoel Borges, não há dúvidas de que ele cometeu suicídio, tentando atingir o shopping propositalmente. Foi pedido um exame toxicológico no corpo de Kleber para saber se ele estava sob efeito de álcool ou de drogas.
Érica soube da morte da filha ontem pela manhã, minutos antes do velório. Ela deixou o hospital com a cabeça e o braço enfaixados e o rosto bastante inchado. Foi direto ao velório da filha. Ao chegar próxima ao pequeno caixão, perguntou: "Ela morreu na hora?".
De tarde, enquanto velava o filho, Miguel Barbosa disse que Kleber "era a pessoa mais boa do mundo". "Era e é, continua para mim sendo", disse o pai.
Miguel Barbosa Filho, meio irmão de Kleber, se disse chocado. "Realmente estamos sem entender até agora. O Kleber que conhecemos não seria capaz de uma atitude dessas. Era um pouco fechado, mas era meigo, gentil." O irmão disse que Kleber trabalhava como ajudante de pedreiro e que tinha discussões normais com a mulher.
Opinião bem diferente tinha a família de Érica. Questionados sobre uma possível motivação, todos diziam que a única explicação era a loucura.
Textos para discutir na aula 3
Brincando com números
Por Luiz Antonio Magalhães em 24/3/2009
Em sua coluna de domingo (22/3), o ombudsman da Folha de S.Paulo Carlos Eduardo Lins da Silva escreveu uma nota intitulada "Contradições econômicas" [role a página para ver aqui], em que comenta uma carta de leitor cobrando o critério do jornal para "estampar notícias sobre a crise econômica na primeira página". O ombudsman confessa que não sabe qual é o critério e questiona a Folha por utilizar quase sempre números que trazem "as conclusões mais negativas".
De fato, um dos campos do jornalismo onde é mais fácil manipular a boa fé do leitorado é justamente o econômico. É sempre possível dar um jeito de dizer que uma determinada variável diminuiu quando ela cresceu e vice-versa. Um bom exemplo pode ser verificado no modo como foi noticiado o Produto Interno Bruto brasileiro do quarto trimestre de 2008. Jornal algum destacou o crescimento de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas a queda de 3,6% ocorrida quando a comparação é feita com o período imediatamente anterior – o terceiro trimestre.
Um dia antes da divulgação do PIB, o portal UOL destacou, em manchete, a queda de 20% na produção de veículos em fevereiro em relação ao mesmo período do ano anterior. Se tivesse adotado o critério utilizado para noticiar a queda do PIB, teria que apontar o crescimento de 9% da produção de automóveis em relação ao mês de janeiro...
Comparação relevante
Confusões essas estão cada vez mais frequentes na imprensa. Em geral, usa-se o número mais chamativo, quase sempre com a intenção de convencer a opinião pública sobre a enorme gravidade da crise no país. Sim, a economia tomou mesmo um enorme tombo a partir de outubro de 2008, no entanto é preciso analisar as coisas com frieza. Não há uma regra específica para todos os casos, mas normalmente comparações de índices econômicos são feitas tomando por base o mesmo período do ano anterior, a fim de eliminar as distorções oriundas da sazonalidade. Ninguém compara as vendas de janeiro no varejo com as de dezembro, o Natal distorceria a série, mas com as de janeiro do ano anterior.
A eclosão da crise financeira internacional, em setembro do ano passado, é um marco importante. No Brasil, os efeitos das turbulências começaram a ser sentidos em outubro. Assim, os índices econômicos do último trimestre de 2008 e do primeiro trimestre deste ano, se os problemas não continuarem a se agravar, apresentarão muitos "pontos fora da curva", pelo menos da curva precedente.
Se a mídia quer realmente explicar o que está acontecendo na economia real, deve analisar os dados com cuidado e raciocinar a partir dos números. Um exemplo simples: o setor automotivo sentiu o golpe da crise com muita rapidez, porque é altamente dependente de financiamento e no final do ano passado o crédito minguou. Com a isenção do IPI anunciada pelo governo federal, o setor esboçou uma recuperação e já está vendendo mais carros do que no trimestre final de 2008. Neste caso particular, portanto, a comparação com os meses anteriores é mais relevante para explicar o que está ocorrendo no setor do que a com o mesmo período do ano anterior, quando o país vivia um boom de crédito, com parcelamentos em até 96 vezes, e as vendas de automóveis bateram recordes históricos.
Números "distorcidos"
Passando na teoria para prática, neste caso, portanto, é possível afirmar que se o interesse da imprensa é informar o leitor, noticiar o aumento de 9% da produção em relação ao mês anterior parece mais lógico do que destacar a queda de 20% em relação a fevereiro, até porque esta informação é "velha" de pelo menos dois ou três meses, quando ocorreu efetivamente o tombo da indústria automobilística.
Se o mote "notícia boa não vende" for adotado como critério, a queda de 20% é a que vai para a manchete. Ou ainda, se a intenção do veículo é fazer política e fustigar o governo, este também é o número mais apropriado para ganhar destaque na cobertura.
Se a crise começar a amainar já no próximo trimestre, os jornais terão um problema grande pela frente: os indicadores da atividade econômica do último trimestre de 2009 e primeiro trimestre de 2010, comparados aos dos mesmos períodos do ano anterior, serão amplamente favoráveis ao governo, porque a base de comparação será o momento do tombo provocado pela crise. Assim, o PIB do quarto trimestre deste ano comparado ao quarto trimestre de 2008 provavelmente será excepcionalmente positivo, o que ensejaria manchetes sobre a "superação" das turbulências no país. Este observador, porém, aposta que a grande imprensa saberá muito bem como advertir o distinto público para as "distorções" desses números...
Textos para discutir na aula 2
Instalado no Palácio das Indústrias, Espaço Catavento tem 250 instalações lúdicas
Inauguração faz parte de projeto de revitalização da região do Parque Dom Pedro 2º, área da cidade que ainda está bastante degradada
DA REPORTAGEM LOCAL
Quem somos, de onde viemos e para onde vamos. A partir deste sábado, essas questões poderão ser discutidas em um novo espaço de conhecimento, o Catavento, instalado no Palácio das Indústrias, no centro de São Paulo.
Questões de biologia, física, química, astronomia e história foram traduzidas em 250 instalações lúdicas, boa parte delas interativas, numa mistura de museu, laboratório e parque de diversões. Várias atrações foram desenvolvidas pela USP, como um passeio em 3D pelo Rio de Janeiro, criado pela Poli, salas que explicam o Universo, desenvolvidas pelo Instituto de Astronomia, e detalhes do corpo humano apresentados pelo Homem Virtual, da Fundação Faculdade de Medicina.
"Além de ser um investimento que nós consideramos importante para a educação, foi uma descoberta de quanta coisa que se faz nas universidades paulistas", disse o secretário estadual de Cultura João Sayad.
A criação do espaço -que ainda tem diversas atrações incompletas às vésperas de sua abertura ao público- consumiu R$ 20 milhões, verba de parceria entre as secretarias estaduais da Cultura e Educação.
As escolas podem marcar roteiros conforme a grade curricular de seus alunos, enquanto pais podem circular com os seus filhos livremente.
O local é dividido em quatro seções. Em Universo, dá para ouvir o barulho de rotação das estrelas (que muda conforme a idade delas). Em Vida, ouve-se o canto de diferentes pássaros, enquanto que em Engenho é possível caminhar sobre um arco feito por caixas enfileiradas e encaixadas, que não têm pilares de sustentação.
Sociedade, a parte mais polêmica, discute aborto, mostra os males do consumo de álcool e drogas e permite avaliar decisões históricas, como o lançamento de bombas atômicas no Japão pelos EUA, na 2ª Guerra.
Localizado no parque Dom Pedro 2º, uma das áreas mais degradadas da cidade, o Catavento integra um projeto de revitalização abraçado tanto pela prefeitura quanto pelo governo do Estado. Dele, fazem parte as demolições dos edifícios Mercúrio e São Vito -que até o final do ano passado abrigavam cortiços- para a criação de uma praça e a instalação do Museu de História do Estado de São Paulo, na Casa das Retortas.
Enquanto essas ideias não saem do papel, o visitante do Catavento deve estar preparado para a deteriorada paisagem que rodeia o bem cuidado Palácio das Indústrias. Há dezenas de moradores de rua circulando no entorno e, ao redor do terminal de ônibus Parque Dom Pedro 2º, concentram-se ambulantes. A Secretaria da Cultura diz que espera que a situação mude após a revitalização da área e lembra que o Palácio das Indústrias é cercado.
Quem for de carro tem a opção de estacionar dentro do Catavento, onde há 200 vagas a R$ 8 (por um período de três horas). (MARIANA BARROS)
Textos para discutir na aula 1
"CQC" e os limites da propaganda
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O programa voltou ótimo, mas protagonizar vinhetas comerciais pode não ser tão boa idéia
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O "CQC" voltou como foi: engraçado, provocativo, energético e atolado nos comerciais.
Medida do sucesso, sim, mas talvez também de uma limitação, que cedo ou tarde, o programa pode sofrer.
Além dos regulares (e longos, muito longos) intervalos comerciais, há vinhetas entra cada atração, nas quais os próprios jornalistas-atores-apresentadores atuam vendendo cerveja, desodorante etc. Todos, como dizem em Portugal, têm piada.
Repito, o programa é ótimo. Mesmo. Voltou com novos quadros, "Fala na Cara", "Palavras Cruzadas" e "CQC Teste", e voltou com pauta boa para os antigos. O trio de apresentadores -Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque- é rápido, inteligente e, importante, tem carisma e combina.
Os repórteres fixaram seus tipos e sabem explorá-los com criatividade e graça. O quadro "Top Five" é de gargalhar. O recurso da animação gráfica como "comentário" irônico e gag visual, parece ainda mais afiado, a julgar por essa reestreia.
O "CQC" 2009 conseguiu botar os óculos no Ronaldo, o grande assunto da segunda-feira em que reestreou, deixou Paulo Maluf frente a frente com transeuntes críticos, testou o nível de conhecimentos de parlamentares com os resultados vexaminosos esperados, esteve na entrada do aniversário da Hebe importunando as celebridades e botou Rafinha Bastos de cueca no hall do palácio do governo do Distrito Federal a reclamar de um hospital-fantasma. Tudo certo, na verdade.
Por que, então, implicar com o excesso de vinhetas comerciais? De certa forma, o que se faz de um lado, desfaz-se, ao menos parcialmente, de outro: "Sejamos iconoclastas e irreverentes com tudo e com todos, menos, é claro, com o capital que nos viabiliza (compreensível) e para quem emprestamos rosto, verve, gestos e, sim, credibilidade (um pouco menos compreensível)".
A contundência e a coragem de fazer políticos e autoridades passarem os mais diversos ridículos, a capacidade de zombar de famosos dos mais variados calibres, a inquietude do jornalismo-cidadão dos quadros mais "sérios" se rende à publicidade e à "neutralidade" do consumo.
São as contradições do mundo moderno: ao mesmo tempo em que o dinheiro dos patrocinadores e anunciantes os mantém autonômos e livres de pressões políticas, também se subordina, de alguma forma, a independência ao mercado. Pode-se argumentar que ajudar a vender desodorante é o preço que se paga, mas o caso é que a indistinção entre os campos do "conteúdo" e da propaganda podem acabar por comprometer a credibilidade.
22/03/2009
Participação Pública - Rodrigo Gianesi
Púbico Interessado: Ciência, Cotidiano.
Público Desinteressado: Política, Economia.
19/03/2009
Exercício Exposto na Aula (18/03)

Jornal Folha de São Paulo
Edição de Domingo, 15 de março de 2009
Caderno: “Ilustrada”
Página E6
Para o crítico da Folha, Kael se baseia erroneamente na idéia de que atores de cinema precisam utilizar da técnica de atores de teatro na qual o espectador deve ser levado a esquecer-se de que há um ator à sua frente tamanha a profundidade da interpretação em cena. Os atores cinematográficos, segundo Sérgio, podem ser encarados como “modelos”, definição dada por Bresson e Hitchcock, ambos cineastas.
O argumento de maior força usado por Sérgio é de que o sucesso de um ator como Clint não está no seu modo de interpretar os personagens, mas sim do reconhecimento do ator pelo público, algo tão evidente na carreira do ator premiado e que rendera a ele 54 anos de uma carreira bem-sucedida que está longe de beirar o seu fim.
18/03/2009
Paula Brazão Antunes
Público interessado: cultura e esportes
Público desinteressado: esportes e editoriais
Exercício Processos Jornalísticos - Bia Abramo
Sábado, 07 de Março de 2009.
Dom José defende não excomungar o padrasto da menina de nove anos, que a estuprou
Por Renata Baptista e Fernanda Odilla
Ele afirmou que Lula é um católico "mais ou menos" por ter criticado a decisão de excomungar mãe e médicos responsáveis pelo aborto.
O arcebispo de Olinda e Recife (PE), dom José Cardoso Sobrinho, disse ontem que o aborto é um crime mais grave que o estupro ao defender a excomunhão da mãe e dos médicos responsáveis pela interrupção da gravidez de uma menina de nove anos e não a do padrasto da garota, que admitiu tê-la estuprado. Ele ainda afirmou que o presidente Lula, que condenou a decisão da igreja, é um "católico mais ou menos".
"Católico que é católico aceita a lei da igreja. Quem não aceita é católico mais ou menos, e isso não existe", disse. Para os médicos, a continuidade da gestação de gêmeos poderia ser fatal à menina, que pesa cerca de 30 quilos.
Em entrevista concedida ontem à Folha por cerca de uma hora, na sede da regional da CNBB em Recife, o religioso disse que o padrasto da menina, que confessou à polícia ter abusado sexualmente da garota e da irmã dela de 14 anos por cerca de três anos, não foi excomungado -como aconteceu com a mãe e os médicos.
Segundo ele, o crime de estupro não está incluído nos delitos gravíssimos da igreja que causam a excomunhão automática -como aborto, heresia e violência física contra o papa, entre outros-, apesar de ser considerado "pecado".
"De acordo com a lei de Deus, a igreja condena todos os pecados. Homicídio é pecado. Quem comete não está excomungado, mas é um pecado grave. Roubar, assaltar e estuprar também são pecados, mas não tão graves como o aborto."
Arrependimento
O arcebispo reafirmou que todos os envolvidos no aborto -mãe e médicos, menos a própria menina, que não possui idade para discernir o que ocorria- estão automaticamente excomungados da igreja, o que significa não poder receber os sacramentos, como a eucaristia e o casamento.
Dom José disse que os excomungados podem deixar a condição e, se se arrependerem, serem absolvidos em confissão.
Em entrevista à Folha na quinta-feira, o médico e católico praticante Rivaldo Mendes de Albuquerque, 51, um dos que interromperam a gestação da menina, disse lamentar a decisão. "Tenho pena do nosso arcebispo, que não conseguiu ser misericordioso com o sofrimento de uma criança inocente, desnutrida, franzina, em risco de vida, que sofre violência desde os seus seis anos."
A menina, que estava com quase quatro meses de gravidez de gêmeos e passou pelo aborto na quarta, recebeu ontem alta. Ela e a mãe foram levadas a um abrigo em local não divulgado. A menina vai continuar recebendo atendimento médico e psicológico. O padrasto está preso desde o dia 27, no presídio de Pesqueira, cidade vizinha a Alagoinha, onde a família morava.
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COLUNA DE OPINIÃO - DRÁUZIO VARELLA
Folha de São Paulo - Ilustrada
Sábado, 14 de Março de 2009.
O colunista e médico Dráuzio Varella, exprime sua opinião nessa coluna, sobre um dos casos mais polêmicos dos últimos dias. Foi o estupro da menina de nove anos que ocasionou em uma gravidez. A criança teve de ser submetida à interrupção dessa gravidez gemelar, pois corriam risco de vida a menina e os gêmeos. Devido o aborto, a mãe e a equipe médica responsável pelo aborto, foram excomungados pela Igreja Católica, através do arcebispo José Cardoso Sobrinho.
Dráuzio Varella parabeniza seus colegas, já que segundo ele, “a medicina foi criada para aliviar o sofrimento humano”. O colunista não julga o ato de excomunhão dos médicos pela Igreja Católica, até porque esta possui normas, dogmas e princípios, que precisam ser defendidos, para não haver incoerência. O arcebispo agiu segundo o Código Penal do Direito Canônico.
Porém, Dráuzio Varella, exprime nessa coluna que não entende o posicionamento da Igreja em defender o estuprador (que inclusive era padrasto da menina) e condenar o aborto de uma criança de nove anos que corria perigo de vida.
Segundo ele, a Igreja através desse tipo de atitude, tenta intimidar o Estado, pois “os políticos não ousam enfrentar a Igreja”. Apenas o presidente da republica e o Ministro da Saúde se manifestaram contra a atitude de excomunhão.
A Igreja Católica ao condenar a camisinha, aborto etc., não mobiliza apenas católicos, mas toda a sociedade, afirma Varella.
Alyson de Oliveira Santos
Público interessado: Economia, notícias internacionais, política.
público desinteressado: Editoriais.
Marina Zenun
Público Interessado: Ciência, Cultura e Economia
Público Desisteressado: Esportes e tecnologia
Thaís Ferreira
Público interessado: esporte e notícias internacionais.
Público desinteressado: economia e política.
Participação Pública - Débora Sanchez
Público interessado:política, economia, tecnologia,ciência e notícias sobre o país
Público desinteressado: esportes, editoriais
Teoria da Participação Pública - Isis Velasco
Público envolvido: Cultura (em especial para cinema e literatura), cotidiano e moda.
Público interessado: Tecnologia, ciência e política.
Público Desinteressado: Esportes, editoriais.
Natália Moraes
Público interessado: Economia, notícias sobre o país
Público Desinteressado: Política
Participação Pública - Laíssa
Público interessado: Assuntos tecnologicos, ambientais,políticos, econômicos, notícias sobre o país e sobre o mundo.
Público Desinteressado: Esporte e editoriais.
Envolvimento Público - André Matiazzo
Me considero público envolvido quando o assunto é cultura(direcionado à música, livros e cinema) e notícias cotidianas (casos como o da brasileira atacada na Suíça). Já como público interessado, os assuntos são tecnologia, ciência (que envolve assuntos ambientais também), economia e política. Como o terceiro tipo de público, meu maior desinteresse é nos esportes.
17/03/2009
Três níveis de envolvimento público - Gabriela Delman
Público envolvido, público interessado e público desinteressado são os três níveis de envolvimento público em assuntos que estão presentes nos meios de comunicação e que Bill Kovach e Tom Rosenstiel citam no texto Os elementos do jornalismo – O que os jornalistas devem saber e o público exigir. De acordo com os autores “Na Participação Pública todos nós somos integrantes dos três grupos, dependendo do assunto” e, por isso, segue agora uma análise pessoal de como me envolvo nos três tipos de público propostos. Eu me enquadro no primeiro nível quando os assuntos são: moda, cultura e cotidiano. Esses são os temas pelos quais eu mais me interesso e tenho algum conhecimento. Mundo, esporte, educação, economia e turismo são assuntos de meu interesse, que leio esporadicamente, mas que ainda não tenho grande conhecimento e, por isso, me enquadro no segundo nível proposto pelos autores. Já no último nível, público desinteressado, me encaixo quando os assuntos são: ciência, informática, animais e carros.
Teoria da Participação Pública.
| De acordo com a Teoria da Participação Pública, do texto de Bill Kovach e Tom Rosenstiel eu me encaixo nos assim nos "níveis" de leitores: * Público envolvido: Cultura, Cotidiano, Brasil. * Público interessado: Econômia, política, Ciência, Internacional. * Público desinteressado: Esportes. |
Participação Pública por Dinoê
Púbico Interessado: Cultura (livros,música e filmes), Ciência e Saúde, Técnologia, Economia.
Público Desinteressado: Esportes.
Nivel de envolvimento
- Envolvida: Cultura,Politica e Economia.
- Interessada:Esportes.
- Desinteresada: ciência.
A leitora Anna Carolina
PÚBLICO INTERESSADO = TV, cultura, política, cotidiano
PÚBLICO ENVOLVIDO = esportes, economia, tecnologia
PÚBLICO DESINTERESSADO = Ciência, meio-ambiente
Tal como afirmam os autores, "na Participação Pública todos nós soos integrantes dos três grupos, dependendo do assunto".
Teoria da Participação Pública
→ Interessada: Política, economia;
→ Desinteresada: Esportes.
Níveis de envolvimento do público
* PÚBLICO INTERESSADO: Notícias polêmicas, como assassinatos, crimes, política, enfim, assuntos que mobilizam a sociedade.
* PÚBLICO ENVOLVIDO: Economia, cultura (cinema e música), ciência, cotidiano.
* PÚBLICO DESINTERESSADO: Esportes.